PAZ NOS “CONFINS DO MUNDO”

ANTÔNIO SILVEIRA RIBEIRO DOS SANTOS
Juiz de direito em São Paulo. Criador do Programa Ambiental: A Última Arca de Noé (www.aultimaarcadenoe.com.br)


15 de outubro de 1996. Vale do Javarí na Floresta Amazônica, fronteira do Brasil com o Peru. Um grupo de 26 intrépidos e corajosos expedicionários mantém contato com os temíveis índios Korubos, os conhecidos “caceteiros”, pois matam os invasores de suas terras com bordunhadas na cabeça.

Os fatos narrados e as fotos divulgados pela imprensa são impressionantes e têm um importante significado: estão sendo contatados os últimos homens selvagens do planeta, e isso em pleno final do século 20, quando a nossa civilização está em avançado estágio tecnológico.

Os ameríndios calculados em 42 milhões a época do descobrimento da América, não passam atualmente de alguns milhares e o fato de ainda existir grupos isolados como os Korubos é porque resistiram bravamente a pressão de nossa sociedade representada e por madeireiros, seringueiros e aventureiros que infestam sua região e não guardam esforços para conseguir o que querem.

Os Korubos, como a grande maioria dos indígenas que se mantém afastados dos brancos, estão perdendo seus territórios por causa da invasão dos brancos; cada vez mais embrenham-se na floresta, estando agora encurralados “nos confins do mundo”.

São grupos de homens, mulheres e crianças que vivem perambulando por seus territórios em constantes e trágicos encontros com caçadores, posseiros, seringueiros e madeireiros; encontros que muitas vezes acabam em escaramuças com mortes.Clandestinamente caçados por invasores de suas terras, sobrevivem estes homens primitivos em estado de alerta, podendo-se imaginar o estresse a que são submetidos.

Incluídos no grupo dos vulneráveis na II Conferência Mundial de Direitos Humanos, de Viena, 1993, os indígenas têm proteção jurídica do art.231 de nossa Constituição Federal que reconhece seus diretos sobre as terras que ocupam, bem como determina que sejam protegidos pela União, mas não têm a proteção efetiva dos caçadores e madeireiros da Amazônia, que os querem fora do território para que possam explorar a caça e a madeira e por isso os perseguem implacavelmente, inclusive com armas poderosas.

Felizmente, homens da Funai capitaneados por Sidney Possuelo conseguiram contato com este grupo, o que lhes traz uma chance de poder viver em paz nos “confins do mundo”.

Obs.: Artigo já publicado em: Diadema Jornal – 01.12.96; A Tribuna de S.Carlos-SP- 08.12.96 etc.

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