Meninos de rua e drogas

O aumento da pobreza e a deterioração da qualidade de vida na maioria dos países do mundo são reflexos dos padrões insustentáveis de consumo e produção que a humanidade vem utilizando a décadas.
Neste cenário o Brasil tem se destacado como o campeão de um título nada invejável : o país de maior desigualdade social do planeta, segundo o Relatório de Desenvolvimento Mundial, elaborado pelo Bird (Banco Mundial),divulgado em junho de 1996, perdendo inclusive para o Quênia e Zimbabue. Esta desigualdade tem como causa também o grande percentual de desempregados que atingem 5,2% da população economicamente ativa (IBGE) e o subemprego que com certeza elevaria mais alguns pontos o percentual.
Calcula-se no mundo que mais de 1 bilhão de pessoas estão desempregadas atualmente, além do que cerca de 1 bilhão de pessoas passam fome e esta cifra está estimada em 2,5 bilhões para 2025 (Population Action International (PAI), uma ONG norte americana).
A pobreza, o desemprego e o excesso populacional só poderiam resultar no que vemos principalmente nas médias e grandes cidades dos países subdesenvolvidos: muitas pessoas vivendo nas ruas; o que é pior grande parte é de meninos e meninas, que vivem pelas ruas vagando sem teto e sem nada, constituindo-se em um dos maiores problemas sociais dos países pobres.
Aliás, este problema é conhecido de todos nós, mas o recente Relatório Mundial Sobre Drogas, do Programa das Nações Unidas para o controle Internacional de Drogas (UNDCP) mostrou que a situação é muito mais grave do que se pensava, pois conforme cálculos da UNICEF em 1990 havia 100 milhões de crianças de rua no mundo, sendo 40 milhões na América Latina, de 25 a 30 milhões na Ásia e mais 10 milhões na África. Concluiu ainda que a cultura das drogas está muito ligada às crianças de rua, que utilizam drogas como fuga da pobreza, doença, dor e da fome.
No caso do Brasil o percentual das crianças de rua que mendigam para conseguir dinheiro para comprar e consumir drogas é altíssimo, chegando a 70% dos menores dos Centros de Detenção de Menores de S.Paulo, por exemplo, e em decorrência do uso de drogas as crianças sofrem violência física, sexual e social, passam a viver isoladas e predispostas ao crime, sem contar os danos físicos que vão dos cerebrais até  psicoses pela dependência, passando pela depressão, tudo isto aliado ao grande risco da contaminação por doenças transmissíveis como a AIDS e a Hepatite, pelo uso de seringas.
Assim, ante os dados incontestáveis das entidades citadas, constata-se que o problema das crianças de rua é gravíssimo e deve merecer atenção especial da sociedade e das autoridades, sob pena de continuarmos vendo em nossas cidades tristes cenas de meninos e meninas de rua mendigando indiretamente por drogas.

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