O GRITO DO IPIRANGA: UM GRITO SEM ECO?

ANTÔNIO SILVEIRA RIBEIRO DOS SANTOS
Juiz de direito em São Paulo. Criador do Programa Ambiental: A Última Arca de Noé (www.aultimaarcadenoe.com.br)




Naquele 07 de setembro de 1822, vinhamos eu e meu carro de bois, quando à margem de um riacho cristalino chamado Ypiranga, homens a cavalo apareceram galhardamente vestidos com uniformes de soldados do Império. Grande agitação se seguiu, quando outros encontraram. Então um que parecia o principal, após confabulações, sacou sua espada e gritou ” Independência ou Morte “. Todos aplaudiram de contentamento.

Mais tarde fiquei sabendo que aquele do grito era o tal de D.Pedro, que se tornou o primeiro imperador do Brasil.Também fiquei surpreso, quando vi o quadro do artista Pedro Américo e notei no seu canto esquerdo: eu e meu carro de bois.

Não se assustem, é que Deus acabou esquecendo de me levar, ante a grande confusão que se seguiu no Brasil e no mundo, e isso permitiu que nestes longos 173 anos pudesse eu ver que uma coisa aquele famoso grito não mudou: a dependência humana à sua pobreza espiritual.

Vi com pesar milhares de conflitos e guerras entre os homens, com morte de milhares de pessoas; tudo em prol da decantada liberdade.

Nações sofreram e continuam sofrendo o amargor do racismo, de ideologias virulentas, da perseguição étnica e social. A humanidade continua caminhando sobre traumas incuráveis. É o homem engolindo o homem.

Enquanto a humanidade não tomar ciência de que a liberdade é uma questão interna de cada um de seus membros; lutas seguirão; enquanto os homens não perceberem que suas ações são apenas reflexos de seu interior; vidas ceifar-se-ão; enquanto as pessoas não notarem que o que as escraviza e as torna belicosas são o egoísmo interno e a falta de conhecimento de sua natureza; conflitos haverão.

Urge que todos reflitam sobre as suas ações e, principalmente, quais as causas que as originaram e fazendo uma reflexão profunda percebam que a paz interior pode levar à paz exterior, porque suas ações serão o reflexo de seu interior, o que as tornariam mais tolerantes e conseqüentemente pacifistas.

Se não houver esta conscientização a nível pessoal e social, gritos como o do Ypiranga não passarão de gritos sem eco e se quedarão fossilizados, deixando apenas perplexa a massa inconsciente.

Obs.: Artigo já publicado em: A Voz da Serra – Erechim – RS – 07.09.95; Diadema Jornal -SP- 10.09.95; JBA – Grupo Jorn.Ronaldo Cortês-SP – 15.09.95; A Tribuna de S.Carlos-SP- 07.09.96 etc.

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