Canoagem – Os primórdios do esporte, da aventura e do desenvolvimento sustentável

O modelo de canoa utilizado hoje para o esporte, lazer e aventura, tem a sua origem nos povos indígenas do extremo norte da América. Quando os colonizadores europeus chegaram ao novo e vasto continente, depararam-se com um versátil e revolucionário design para um barco à propulsão humana. A imensa rede fluvial, associada a um grande número de lagos e obstáculos naturais acabou determinando os padrões de construção naval da época: o birchbark canoe, ou canoa de casca de Bétula (Betula papyrifera); uma embarcação leve e extremamente versátil, que podia ser transportada de um rio ou lago para outro, sempre que houvesse necessidade. O esqueleto da canoa (quilha e cavernas) era construído com galhos especialmente entalhados e posteriormente revestidos com pedaços de casca de Bétula, que eram depois costurados e impermeabilizados com uma resina extraída dos Pinheiros. Mais tarde, com a influência do europeu, as canoas passaram a ser revestidas com lona e impermeabilizadas com gordura animal; essas embarcações também foram largamente utilizadas pelos colonizadores para desbravar a região e estabelecer as novas rotas para o comércio, fazendo surgir uma legião de remadores conhecidos como: the voyagers, os viajantes; esses homens eram expostos a tantos riscos, que raramente chegavam aos 30 anos.
No Brasil, pelas peculiaridades geográficas, a canoa também foi largamente utilizada pelos povos indígenas; no litoral, os Tamoyos eram excelentes remadores, percorrendo grandes distâncias a remo para garantir o domínio dos seus territórios. A técnica básica empregada na construção das nossas canoas (indígenas, caboclas ou caiçaras) sempre foi a de escavar o tronco com machado, enxó e brasa; porém, recentemente foi visto que os índios Bakairi, do Mato Grosso, também utilizam uma técnica similar a do birchbark para confeccionar as suas canoas, a diferença está no design menos sofisticado e na utilização da casca do Jatobá (Hymenaea courbaril). É interessante notar que essa técnica de construção naval já estava em sintonia com o desenvolvimento sustentável, uma vez que as árvores não eram abatidas, mas apenas desprovidas parcialmente de suas camadas de cortiça. Nos dias de hoje, poderíamos chamar esta técnica de arte naval ecológica.
A Canoagem iniciou-se formalmente na Europa no ano de 1865, quando o escocês John MacGregor criou um modelo de canoa de madeira derivado dos caiaques que navegavam no Círculo Ártico. Porém, bem antes da fundação do Royal Canoe Club e das competições oficiais, gravuras antigas mostram que os nativos americanos já realizavam corridas de canoa na região da atual província de Ontario, Canadá. Nos EUA, em 1804, dois destemidos aventureiros, Meriwether Lewis e William Clark lançaram-se rio abaixo para realizar uma grande façanha a bordo de canoas nativas; com a difícil missão de explorar os territórios a oeste do Rio Mississipi, comprados da França e recentemente anexados, os expedicionários atravessaram o país a remo, chegando no Oceano Pacífico. Na Europa, o entusiasmo de MacGregor era tão grande com as novas possibilidades do seu projeto, que em 1866, após percorrer 1000 milhas a remo, escreveu um livro chamado A Thousand Miles in the Rob Roy Canoe; na introdução ele já dava uma prévia do que estava por vir: “este livro tem como objetivo descrever uma nova maneira de viajar pelo continente, permitindo que pessoas e lugares sejam descobertos, enquanto um exercício saudável está sendo praticado e a mente mantém-se entretida com as mais variadas paisagens …”.
Assim, um meio de transporte aquático simples e original virou esporte, que virou aventura, que virou lazer, que virou turismo, que virou … a nossa Canoagem!

Vitor Hilsdorf
Diretor da HIKING Outdoor Adventures e autor do Manual do Canoísta de Fim de Semana

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