Turdus subalaris-Serra do Japi,Jundiaí (SP)

Nota ornitológica

Primeiro registro do sabiá-ferreiro (Turdus subalaris) na Serra do Japi-SP, por Antonio Silveira

A presente nota ornitológica tem a finalidade de colaborar com projetos de conservação da Serra do Japí, Jundiaí-SP, trazendo dados importantes sobre uma espécie de ave migratória que passa na região, bem como trazer informação didática para o processo de educação ambiental, mediante o conhecimento da fauna local.

Pois bem, no dia 20 de outubro de 2005, por volta das 10 horas, durante visita de observação para nosso projeto de levantamento da avifauna da Serra do Japi escutamos a inconfundível vocalização do sabiá-ferreiro (Turdus subalaris) na mata secundária próxima à estrada de terra, na região da Malota, dentro da Reserva Biológica Municipal da Serra do Japi, no município de Jundiaí, por onde caminhava com os monitores locais Eduardo Pereira e Vanessa Said.  Aliás, vários indivíduos vocalizavam insistentemente, talvez cinco ou seis. Nos dias seguintes os citados monitores não ouviram mais nenhum indivíduo vocalizando, o que indica as aves ficaram poucos dias ou apenas no citado dia na região, em sua migração para o sul.

O sabiá-ferreiro, conhecido cientificamente como Turdus subalaris, pertencente à família Turdidae composta de 17 espécies no Brasil (Lista de aves do Brasil, Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos, Sociedade Brasileira de Ornitologia.-CBRO, 2007), é conhecido mais por sua vocalização estridente, que parece uma seqüência de batidas de martelo em ferros, do que por sua plumagem discreta cinza e branco e suas raras aparições, pois trata-se de ave tímida e arredia. Ocorre da Argentina, Paraguai e Bolívia localmente até o Rio de Janeiro (Itatiaia) e Minas Gerais, durante o inverno, Goiás e Mato Grosso (alto Xingu) sendo espécie muito comum em localidades no Estado do Rio Grande do Sul (H.Sick, Ornitologia Brasileira.Nova Fronteira.RJ.1997), como Gramado-Canela e no Parque Nacional Aparados da Serra, onde também foi constatado por nós, sendo facilmente ouvida, principalmente no final da primavera e início do verão, época de procriação.

O que se sabe é que esta ave migratória, de rota pouco conhecida, passa o inverno nas regiões centrais e parte do sul da Amazônia, retornando ao Estado sulino para procriar (Sick, ob.cit.).

Assim, com esta constatação e outras por nós feitas em outras áreas naturais, no Estado de São Paulo, como por exemplo no Parque Estadual da Cantareira, podemos concluir que no seu retorno esta espécie vem parando em fragmentos florestais, onde fica alguns dias, já vocalizando.

É interessante observar que na bibliografia publicada sobre aves da Serra do Japi, não constava, até então, a ocorrência do sabiá-ferreiro, o que mostra a importância deste registro, o qual reforça a conscientização de que a Serra do Japi é mesmo uma área prioritária para conservação de aves, devendo assim ser protegida pelo poder público e pela coletividade.

 

Antonio Silveira

Birdwatcher. Criador do Programa Ambiental: A Última Arca de Noé

www.aultimaarcadenoe.com.br

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