Atropelamento de animais

Atropelamento da fauna silvestre na rodovias do Brasil: um perigo constante.

As estradas brasileiras matam mais animais do que qualquer outro tipo de ocorrência envolvendo a fauna no mundo. Estudos apontam que cerca de 500.000.000 milhões de vertebrados são atropelados por ano nas estradas do território nacional. Significa que cerca de um milhão e trezentos mil animais são atropelados por dia. Ou seja, a cada segundo, 15 animais são atropelados! É uma perda gigantesca para nossa biodiversidade, especialmente em trechos onde as espécies ameaçadas habitam e cruzam as estradas em busca de alimentos e abrigos.

É nítido que o impacto causado na biodiversidade é de extrema urgência e exige atenção dobrada não somente dos motoristas, mas também dos responsáveis por estas malhas rodoviárias. O que precisa ser feito com urgência é, no mínimo, um estudo de aproveitamento deste material biológico encontrado, para futuramente compreendermos e conduzirmos estudos e projetos para melhorias tanto para biodiversidade, como para os usuários. Um dos problemas é que a maioria deste material biológico se perde e, consequentemente, inúmeras informações importantes também.

Existem pontos de maior travessia de espécies, onde os índices de encontros e acidentes são maiores. Projetos de passagens subterrâneas, ou mesmo suspensas, poderiam ser implantados com objetivo de diminuir estes acidentes, especialmente nas áreas de maior ocorrência.

O problema é que no Brasil as coisas não funcionam como se espera. Vamos usar, por exemplo, as passarelas construídas para as pessoas cruzarem as rodovias. As passarelas são construídas em áreas de maior risco de atropelamentos para as pessoas, consequentemente espera-se que o uso deste meio de segurança seja de 100%. No entanto, alguns estudos apontam que o uso das passarelas é de 46%. Ou seja, 54% das pessoas continuam atravessando por baixo destes sistemas de segurança. Isso levando em consideração que temos a capacidade de compreensão dos riscos que corremos ao não utilizar estes meios. Sabemos do problema, mas arriscamos a vida pra “ganhar” tempo.

Agora tente imaginar isso com a fauna silvestre. Para que as travessias suspensas ou mesmo subterrâneas funcionem, é preciso cercar uma grande área próxima, forçando os animais a procurarem o único ponto de travessia. Seriam necessários quilômetros de alambrados resistentes e com certa altura, pois alguns animais escalam facilmente, e ainda correríamos o risco de furto destes equipamentos de proteção. Não é uma tarefa simples e nem de baixo custo. Se levarmos em consideração que o maior índice de atropelamentos da fauna ocorre nas rodovias do interior dos estados, onde muitas vezes rodamos longas distâncias sem mesmo um posto de combustível por perto, esta falta de infraestrutura dificultaria ainda mais a fiscalização. Isso sem contar na falta de fiscalização propriamente dita.

Numa recente viagem que fiz de São Paulo até Buritis-MG, cerca de 2.800km ida e volta, juntamente com um casal de biólogos pesquisadores, avistamos mais de 60 animais atropelados, de diversos grupos. Mamíferos, aves e répteis são os grupos visíveis mais afetados. Percorremos quatro estradas diferentes, em meio ao bioma cerrado. Vimos tamanduás bandeira, inclusive uma fêmea com filhote, cachorros do mato, seriemas, tatus, furões, quatis, gambás, ouriços, isso sem contar os animais domésticos.

Precisamos urgentemente nos mobilizar para diminuirmos estes acontecimentos, antes que as estradas reduzam a poucas espécies o pouco da biodiversidade que nos resta.

Ao dirigir por estradas durante o período noturno, fique atento. Neste período os tamanduás, lobos, onças, cachorros do mato, gambás, ouriços e tatus, são muito ativos. Em caso de atropelamento, comunique imediatamente a policia rodoviária local.

Antonio Bordignon
BIólogo/Herpetólogo/Consultor Ambiental
abordignon@gmail.com
Facebook: https://www.facebook.com/antonio.bordignon.18

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Para saber mais:

- Urubu Mobile: Projeto Malha: aplicativo recente para celulares que ajuda muito na identificação dos principais pontos de acidentes: https://play.google.com/store/apps/details?id=br.com.brainweb.tetra.ufla.urubu

- Lombadas ambientais. Antonio Silveira R. dos Santos em: http://www.aultimaarcadenoe.com/artigo55.htm

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Publicado em 10 de outubro de 2014.

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