Introdução

por Fábio Olmos (f-olmos@uol.com.br)

Quando tinha seis anos li “Viagem de um Naturalista ao Redor do Mundo” de Darwin. Além de ter me colocado na trilha para me tornar um biólogo, o livro despertou minha curiosidade sobre a Patagônia, terra de estepes sem fim, ventos incessantes, montanhas majestosas e criaturas como a “ema de darwin”, cujo exemplar tipo serviu de almoço para o próprio e quase foi descartado por ter sido confundido com uma ema comum.

Muito tempo depois, ao decidir onde passaria minhas primeiras férias como empregado de carteira assinada, resolvi viajar como mochileiro pela Patagônia. Assim, em janeiro-fevereiro de 1994, conheci a região costeira de Chubut (Punta Tombo e Península Valdés), fiz trekking no Parque Nacional Los Glaciares (El Calafate e El Chalten, incluindo o Glaciar Perito Moreno) e em Torres del Paine, e ficando molhado sob a chuva constante em Ushuaia. Esta viagem foi fantástica, mas o peso sobrevalorizado e um orçamento pequeno significaram que não pude conhecer alguns locais como eu gostaria.

Em dezembro de 2005 eu e Rita resolvemos viajar para a Tierra del Fuego, qu dessa vez foi adequadamente degustada. E resolvemos passar as festas de 2006 mais ao norte, e Chubut e Santa Cruz, refazendo parte do roteiro de 1994.

Alguns colegas pediram um relato de viagem. Assim, resolvi escrever este trip report. Esta viagem teve como carro-chefe o que chamam de ecoturismo, mesmo porquê o interessante na região é sua fauna (incluindo membros da “megafauna carismática”) e suas paisagens, com trilhas e panoramas belíssimos.

Logicamente observei aves, mas com o sol nascendo às 5 da manhã e se pondo quase às 10 da noite, e pelo fato de estar em férias, o que significa também ter noites de sono adequadas, não vi todas as espécies que poderia, embora tenha me esforçado para achar algumas desideratas. O resultado foi uma lista modesta (anexada ao fim).

Antes do relato em si, algumas dicas que acredito interessantes:

Transporte: Voamos de São Paulo a Buenos Aires com a Varig, sem o menor problema. O retorno foi via TAM, também sem stress. A partir de Buenos Aires tomamos o vôo da Austral para Trelew (porta de entrada para a costa de Chubut) e de lá voamos para El Calafate. O cesso a El Chaltén é feito por ônibus (cerca de 4 horas de viagem) a partir de Calafate. Para aproveitar adequadamente o passeio recomendo o aluguel de um carro, ou então você acabará naquelas excursões que te dão 15 minutos m cada local e te matam de raiva. Em Trelew alugamos um carro da Budget (178 pesos/dia) para ir a Tombo e Valdés, e em Calafate usamos a Nunatak (160 pesos/dia).

Em Calafate o pessoal da pousada fez um bom trabalho conseguindo a melhor relação custo-benefício.

Hospedagem: As diárias variaram de 120 a 160 pesos/dia para quartos de casal com café da manhã, a suíte do hostal em Buenos Aires custando apenas 60 pesos. Rita fez todas as reservas via web. Em Trelew ficamos no Hotel Galicia, bastante confortável e com um toque de anos 60. Em Puerto Pirámides ficamos na Posada Pirámides, que teve problemas de abastecimento de água quente. Em Calafate ficamos na ótima Posada Patagonica Nakel Yenu. E em Chaltén no albergue Condor de los Andes. Tanto em Calafate como em Chaltén o pessoal dos albergues pode organizar excursões eu você queira fazer, sendo muito prestativos.

Saúde: beber a água da torneira não causou efeitos negativos. O ar pode ser muito seco em Chubut e um pouco de solução salina (rinosoro) me ajudou a dormir melhor e não sangrar pelo nariz. Por conta do maldito vento empoeirado de Chubut que não pára e do sol muito brilhante, óculos escuros são obrigatórios, assim como protetor solar e labial.

Comida: um expoente da culinária local é o cordero patagónico, feito no asador. Em Chubut também há frutos do mar (especialmente moluscos) muito saborosos. Em Trelew recomendamos o La Eloisa, que tem tanto asador como bons pratos a la carte. Em Puerto Pirámides comi uma ótima cazarola de mariscos na Posada Pirámides, e saborosas vieiras gratinadas no estiloso Bar Estacíon. Em Calafate há pelo menos dois tenedores libres (como o que puder por 24 pesos) com comida patagônica-chinesa, incluindo asador com ótimo cordero. Também comemos no bom Mi Viejo (que tem filial em Chaltén) e degustamos os maravilhosos sorvetes e sanduíches do Aquarela.

Em Chaltén recomendo o Patagonicus, com excelente pizza e cerveza artesanal, e o Pangea, onde passamos o reveillon. Tanto na Patagônia como em Buenos Aires deguste uma tabla patagonica, com ótimos queijos e os maravilhosos ahumados. E tome um bom vinho (muitas opções) ou cerveja artesanal (tente a Blest, que leva framboesas na composição) para acompanhar.

Equipamento: em Chubut o clima é seco e estava calor, com as chicas se bronzeando nas praias onde e quando o vento permitia. Mas em Los Glaciares o clima é mais frio e bastante mutável. Você pode ter sol e dali a poucas horas chove (muito) ou mesmo neva. Além de bons agasalhos, um abrigo que proteja tanto do vento como da chuva é fundamental.

Meu Columbia (comprado em revendedor oficial da marca), que prestou bons serviços até agora, me deixou molhado após seis horas de chuva média. Consta que a qualidade da marca caiu muito depois que passou a ser made in China e adjacências.

Botas que não molhem são obrigatórias e este é um capítulo à parte. Já comprei muitas que alegavam ser à prova d´água nas boas casas do ramo em Sampa (Casa do Montanhista, Half Dome, Acampar, etc) e que acabaram perdendo as solas depois de um mês (Salomon) ou me deixaram de pés encharcados depois de andar em gramado molhado (Timberland Alpine, Merrel Eagle III, Snake Agreste). Se você quer manter os pés secos e evitar jogar dinheiro fora, não compre estas coisas (por sinal também made in China). Atualmente uso uma Asolo TX (made in Romania) que descobri em Ushuaia e estou bastante satisfeito. Até comprei outra em Buenos Aires.

Como eu, muitos preferem fazer seu enxoval na Argentina, o que vale a pena pela melhor qualidade dos produtos e pelos preços mais em conta. Há muitas lojas, que tinham boas ofertas, em Calafate. Em Buenos Aires a Eurocamping (quase na esquina de Esmeralda com Paraguay, perto da Florida) foi uma ótima pedida.

Câmbio: um dólar estava sendo trocado por 2,75 pesos nos aeroportos de Buenos Aires, e por 3,05 pesos nas casas de câmbio e lojas no centro da cidade (algumas aceitam pagamento em dólar). Melhor levar pesos daqui para o táxi e trocar seu dinheiro fora do aeroporto. Trelew e Calafate não têm casas de câmbio nos aeroportos, e na primeira é necessário ir a um banco (abrem às 8 da manhã), enquanto a segunda tem casas de câmbio e bancos. Preste atenção nos horários. Muitos locais fecham no meio o dia, mas o comércio em geral fica aberto até as 20-21:00.

Literatura de bordo: usei o guia de aves da Argentina de Narosky e Yzurieta (edição de 2003) e o “Birds of Patagonia, Tierra del Fuego & Antarctic Península” de Couve e Vidal. No fim da viagem estava lendo “Viaje a la Patagônia Austral”, de Francisco P. Moreno. A descrição da culinária indígena Tehuelche e da obtenção de espécimes antropológicos são impagáveis.

Há vários livros de divulgação sobre a região de Los Glaciares, e sobre Valdés e suas baleias, facilmente encontrados nas muitas livrarias que existem em todas as cidades. Aliás, vale garimpar as livrarias do calçadão de La Florida em Buenos Aires (há o dobro ou triplo de livrarias nesta calle do que em toda Brasília), e as de El Calafate e El Chaltén. Achei boas ofertas na última.

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