Chegou, matou e ficou

por Antonio Silveira (*)

Um dia desses contaram-me um homicídio que me deixou perplexo.

“Um homem de pele branca chegou em uma praia, em um lugar ermo, e encontrou uma choupana onde havia um homem de pele vermelha e sua família, os quais o receberam com curiosidade e muito bem.

O homem de pele branca ficou morando na choupana, e vendo que o homem de pele vermelha tinha riquezas naturais como madeira boa, pedras preciosas e ouro, matou-o e também sua família e se apossou de suas terras e riquezas. Destruiu a choupana e construiu uma grande casa”.

Segundo me informaram este homicídio ocorreu em um local chamado Brasil entre os anos 1500 e 1996, mas nunca foi investigado. Talvez, penso eu, é porque a apuração deveria ter sido feita pela turma dos homens de pele branca, como a do homicida.

Ah! Estava esquecendo, contaram-me também que o homem de pele branca ficou sabendo que há outros homens de pele vermelha morando dentro de uma grande floresta que se situa bem distante, e que também vivem sob grandes riquezas, e que um dia pretende também encontrá-los.

É, este tal homem de pele branca precisa ser barrado.

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(*) – conto escrito sob reflexão na época de descobrimentos de novas tribos indígenas isoladas na floresta amazônica.

OBS: Publicado:

Diadema Jornal – 18.04.96
JBA – Gr.Jornal.Ronaldo Cortês – 31.05.96 e 07.06.96
- A Voz da Serra – Erechim-RS – 18.06.96
- Jornal de Jundiaí-SP – 29.09.97

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Antonio Silveira: última atualização: 01/5/2012

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