

Beija-flores: jóias da natureza
História natural
1. Distribuição e características
Pertencentes à família Trochilidae, os beija-flores são
aves que existem apenas no continente americano, distribuindo-se do Alaska
à Terra do Fogo na Argentina.
Os beija-flores ou colibris representam talvez a família de aves
que mais atrai a curiosidade das pessoas. Não é para menos,
pois seu tamanho diminuto, agilidade e beleza são características
que os diferenciam no mundo alado.
Ao todo são conhecidas 323 espécie segundo Richard Howard
e Alick Moore (A complete checklist of de birds of the world, Academic
Press. 1991). No Brasil temos 145 formas que compreendem 86 espécies
e 59 subespécies, conforme Rolf Grantsau (Os Beija-flores do Brasil.
Expressão e Cultura. Rio de Janeiro-Br. 1988).
Os beija-flores vivem nos mais variados lugares e ecossistemas como florestas,
desertos, cerrados e mesmo próximo ao gelo. Mas é na região
tropical que ocorrem mais espécies.
Na maioria da espécies há dimorfísmo sexual, isto
é diferenças aparentes entre macho e fêmea. O macho
tem cores vivas e reluzentes enquanto a fêmea tem cores mais opacas
e unifomemente distribuídas.
Caracterizam-se por possuir um bico alongado, extremamente adaptado para
sugar o néctar das flores. Seus pés são pequenos,
o que os impede de pousar no chão ou “andar”. Aliás, por
isso pousam em ramos muito finos.
Sua batida cardíaca é muito rápida, assim como suas
asas, o que lhes consome muita energia, daí porque têm que
estar a todo momento alimentando-se. O que por sua vez exige muita energia,
já que tem que ficar pairado no ar. Na verdade é um círculo
interligado alimentação/dispêndio de energia/alimentação.
Ao dormir entra em estado de torpor quando seu ritmo cardíaco cai
muito.
São aves extremamente ágeis, rápidas e belicosas que
não se intimidam com inimigos maiores como gaviões, os quais
atacam como balas deixando-os aturdidos e temerosos. Aliás, é
muito comum vermos estas pequenas aves perseguindo no ar as aves de rapina,
para afastá-las das proximidades de seu ninho.
Também não é difícil vê-los “tomando
banho” em algum riacho na mata. Pairam a alguns centímetros do espelho
d’água e dão rápidos “mergulhos superficiais”, molhando
rapidamente as penas. Após, dois ou três destes mergulhos
param em um galho próximo e arrumam cuidadosamente as penas.
2. Nidificação
A
construção do ninho é trabalho a ser executado pela
fêmea, que sozinha fica incumbida da tarefa, assim como da
incubação dos ovos, os quais são normalmente em número
de dois. Também é ela sozinha que trata da difícil
tarefa que é alimentar os filhotes. A incubação dura
de 16 a 17 dias e os filhotes permanecem no ninho de 20 a 30 dias.
Os ninhos são feitos de paina, reforçados com fios de seda
produzido por aranhas e cobertos de liquens para confundi-los com o ambiente,
o que os tornam mestres nesta arte.
Normalmente os beija –flores fazem seus ninhos a pouca altura, sendo comum
encontrá-los a um metro do solo, as vezes até menos, como
o ninho de um Chlorostilbon aureoventris, (Glittering-bellied Emerald,
verdinho-de-bico-vermelho) que encontramos em matas do município
de Itapecerica de Serra (próximo à da cidade de São
Paulo), que estava a 60 cm do solo
Encontrar um ninho de beija-flor em seu habitat natural é dificílimo.
Em uma floresta é quase impossível, a não ser que
a pessoa
seja um especialista e tenha muita sorte. Mas, surpreendentemente podemos
encontra ninhos de algumas espécies nas habitações
humanas, aí a sua observação torna-se fácil.
Dependendo
do gênero e da espécie o ninho é feito:
-
em forma de uma tigela sólida, colocada em um galho horizontal,
ou sobre uma folha como de uma helicônia;
-
em forma de tigela alongada fixada em uma raiz embaixo de um barranco;
-
em forma alongada dependurada na parte inferior de uma folha larga
como de bananeira;
3.
Alimentação
Em que pese alimentarem-se algumas vezes de pequenos insetos, sua dieta
principal é constituída pelo néctar das flores. Atraídos
principalmente pelas flores vermelhas, são eles grandes polinizadores
e portanto responsáveis pela reprodução de muitas
espécies de plantas.
Para observarmos beija-flores nas florestas, basta termos um pouco de paciência
e esperar próximo a uma flor de bromélia, por exemplo, que
logo aparecerá algum para sorver seu néctar.
Já nos parques e jardins das cidades pode-se tornar mais fácil
a observação, pois eles estão adaptados às
plantas chamadas exóticas, isto é aquelas originárias
de outros países como a suinã (Erythrina speciosa),
a esponjinha (Calliandra spp) e o malvavisco (Malvaviscus arboreus).
Muitas espécies gostam também de se alimentar nas flores
dos eucalíptos (Eucalyptus spp), ingás (Inga spp)
e da laranjeiras (Citru spp).
Hábeis
acrobatas, são quase imperceptíveis quando passam “zunindo”
próximo de nós, tão grande é sua velocidade.
Suas azas tornam-se praticamente invisíveis quando pairam no
ar.
Aliás,
são as únicas aves que voam para trás. Reparem quando
estão se alimentando nas flores.
Portanto, em vista de todas estas características podemos considerar
os beija-flores verdadeiras jóias da natureza.
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Texto:
Antônio Silveira Ribeiro dos Santos
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